Para Marco Mondaini, defesa dos Direitos Humanos está nas mãos dos jovens
Um retrato de como o tema Direitos Humanos é importante na
história do Brasil e na formação dos brasileiros. A Conferência do professor de
história da Universidade Federal de Pernambuco Marco Mondaini foi uma aula de
como a preservação dos direitos universais é importante para o funcionamento de
qualquer democracia. A palestra encerrou o ciclo de conferências da 14ª Feira
Nacional do Livro de Ribeirão Preto, neste domingo, 25, e explicou que os
jovens estão exigindo a história em suas mãos, fazendo referência ao tema da
Feira deste ano.
No palco do Theatro Pedro II, Mondaini começou falando sobre
a tortura, “uma instituição no país que existe desde a colonização. As
principais vítimas da tortura na época colonial foram os índios e negros
escravizados pelos portugueses. O pelourinho
era espaço onde negros sofriam torturas”. Ele fez questão de destacar que até hoje os
negros ainda são as grandes vítimas dos abusos.
“No regime militar, tortura era ensinada, haviam professores
de tortura noDepartamento de Ordem Política e Social (DOPS) e as aulas
ministradas não eram feitas com bonecos, mas pessoas vivas, que foram presas
pelo órgão”. Segundo o professor, muitos
destes “mestres em tortura” ocupam cargos públicos em instituições no país
atualmente. “Enquanto nenhum destes torturados não pagar pelas atrocidades
cometidas o Brasil ainda haverá essa chaga que foi uma das maiores violações
dos Direitos Humanos já existentes”.
O convidado da Feira se mostrou favorável à democratização
dos meios de comunicação. “A grande ameaça no país hoje à liberdade de
expressão não é o Estado, mas sim, o setor privado”. Para Mondaini o fato dos
meios serem controlados por famílias cria um monopólio, além de priorizar os
interesses dos anunciantes em detrimento aos do público.
O professor ainda destacou que programas jornalísticos
policiais e que alguns âncoras de telejornais violam os Direitos Humanos no
Brasil. “O Governo, que deveria puni-los, a concessão é pública, mas ninguém é
punido. A sociedade civil precisa cobrar
do Estado alguma atitude”.
Para Mondaini, quem pode mudar este cenário de violações de
direitos são os jovens, que durante muito tempo foram criticados por não
fazerem nada. Mas, hoje estão cada vez mais interessados em política e
perceberam que a história está em suas mãos.
Ao fim da Conferência, no último dia da 14ª Feira Nacional do Livro, o
também escritor desabafou. “Que o número de leitores no Brasil aumente como o
número de manifestantes e caminhe junto com os Direitos Humanos. E que mais
discussões como estas possam ser feitas. Por isso, vida longa a Feira do Livro
de Ribeirão Preto”.
14ª FEIRA NACIONAL DO LIVRO DE RIBEIRÃO TERMINA COM ESPETÁCULO
EMOCIONANTE DA ORQUESTRA BACHIANA
Público lotou o Pedro II e aplaudiu de
pé a orquestra regida por João Carlos Martins, com a participação especial do
jovem tenor Jean William
Com o Theatro Pedro II lotado
aplaudindo de pé o espetáculo emocionante da Orquestra Bachiana, regida pelo
maestro João Carlos Martins, terminou na noite deste domingo, 25 de maio, a 14ª
Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
Mais de 200 autores e 100 artistas
passaram pela Feira nos dez dias. O público estimado pela direção da Fundação
Feira do Livro neste ano foi de 450 mil pessoas.
O presidente da Fundação, Edgard de
Castro, afirmou que a Feira temática foi um enorme sucesso e que a queda de
público em relação a edições anteriores já era esperada porque neste ano os
grandes shows foram tirados da programação e o evento priorizou sua vocação
literária. “Durante dez dias, Ribeirão foi um fórum de discussão das questões
da cidadania que tanto afetam o país”, disse Castro.
O filósofo César Nunes, programador temático da Feira deste ano,
também ressaltou o sucesso do evento. Segundo ele, a Feira de 2014 ficará para a história da cidadania
e da afirmação da sociedade civil brasileira. “Cabe a nós testemunhar que esse
momento não se mede somente pelos grandiosos números de pessoas presentes, de
livros comercializados, de atividades artísticas e culturais, de palestras, de
salões de ideias, de mesas de debates, de conferências e de eventos circenses,
teatrais, musicais e corais. Mede-se, sim, pelo inestimável passo que demos na
direção de um país melhor, democrático e participativo, superando suas
dominações históricas.” Ele revelou que a Feira de 2015 vai discutir a cultura
brasileira.
Fernando
Morais
Na manhã de domingo, o palco do Pedro II foi do jornalista e
escritor Fernando Morais. O conceituado biógrafo prepara um trabalho sobre o
ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que deve ser lançado em 2015. “O livro
está quase pronto, mas não pretendo lançá-lo em ano eleitoral”. O livro contará
a vida de Lula, entre a saída da prisão, no início da década de 1980, até o
último dia na Presidência, em 2011.
No Salão de Ideias, Morais revelou que o livro sobre Lula é o
último que escreverá. Segundo ele, o desgaste recente sobre a publicação de
biografias é um dos motivos para sua aposentadoria.
Respondendo a questões do público, Morais defendeu veementemente a
revolução cubana e os governos de Lula e Dilma Rousseff e falou sobre as
manifestações antiCopa deste ano. “O Brasil vai ter Copa. O que não vai ter é
segundo turno.”
Orquestra
“Jamais a palavra esperança desapareceu da
minha vida. Há 10 anos me disseram que eu nunca mais poderia tocar
profissionalmente, mas aqui estou eu, eu toco, pois quero tocar o coração das
pessoas através da música.” A frase do maestro e pianista João Carlos Martins foi
uma das que encantaram a plateia, que vibrou e aplaudiu de pé cada peça tocada
no último evento da Feira do Livro.
“Mudei todo meu repertório hoje à tarde. Isso
aqui não é um concerto comum, isso aqui é um encerramento e o que é melhor, de
uma Feira de livros, de cultura e fechar com música é uma honra pra mim”, disse
o maestro que tocou Mozart, Beethoven, tangos e uma homenagem especial para Ribeirão
Preto, “Trem das Onze”.
Martins,
que regeu e tocou piano, trouxe também dois convidados especiais: o também
maestro Serguei Eleazar de Carvalho e o jovem tenor Jean William, natural de
Barrinha, município próximo a Ribeirão Preto, que emocionou a plateia com sua potência
vocal e interpretação.
No
final do concerto, o público continuou de pé, insistindo em um bis. Martins
voltou então sozinho, tocou o Hino Nacional e foi ovacionado. Muita gente
chorou.
crédito: Sté Frateschi / Feira do Livro
Fonte: Wolfgang Pistori - Imprensa
Fundação Feira do Livro

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