quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dia 19 de Maio - O Livro e a Leitura Diante da Condição do Negro no Brasil

Para cantar rap é preciso ler muito, diz MV Bill, no salão lotado do Kaiser



“Sou uma péssima referência de escolaridade. Estudei até a quinta série. Minha mãe ficava mais feliz quando eu chegava com o dinheiro do trabalho do que com meu boletim.” Assim o rapper MV Bill explicou como foi sua relação com a escola quando criança e explicou sua emoção ao ver seu Salão de Ideias repleto de crianças e adolescentes de escolas públicas de Ribeirão e região – cerca de 1.400 pessoas acompanharam o Salão, sendo 800 no estúdio em que MV Bill estava falando e mais 600 em outro estúdio com telão, na tarde desta segunda-feira, dia 19 de maio.  Dentro da programação da 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão, o rapper falou da sua trajetória no cenário do rap, da situação dos negros no Brasil e de como a educação transforma os seres humanos. MV Bill cresceu na Cidade de Deus no Rio de Janeiro (CDD) em uma família de pais separados. Por conta destas dificuldades e pelo bullying que sofria dos colegas, teve que abandonar os estudos e trabalhar com 11 anos de idade. Ele diz que teve todas as oportunidades para seguir o caminho da criminalidade, mas encontrou no rap sua salvação. Segundo Bill, foi através do rap que ele percebeu que podia ser ouvido e se tornar uma exceção à regra na comunidade que ele vivia. Porém, para isso ele precisou ler. “As pessoas olham os MCs rimando e acham que isso é fácil, que nós temos aquilo de cor na cabeça. Mas isso não é verdade, para rimar é preciso ler.” O artista disse que um livro que marcou sua vida foi “O Negro Revoltado”,de Abdias do Nascimento, que, por meio de um ensaio, narra a condição do negro no Brasil.

César Nunes prova que Darcy Ribeiro reinventou o Brasil



Neste domingo, dia 18 de maio, no auditório Palace do Centro Cultural Palace, o professor titular da Unicamp, pesquisador e filósofo César Nunes deu uma palestra mostrando que Darcy Ribeiro, o autor educação homenageado da 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão, “reinventou” o Brasil. O Salão de Ideias de Nunes estava lotado _a palestra teve que mudar de sala devido à alta procura por senhas. Nunes iniciou a palestra falando sobre o total desequilíbrio que existe na sociedade desde a descoberta do país. Para ele, o Estado é quem dita as regras, mesmo sendo necessário reconhecer primeiro a sociedade, coisa que não aconteceu no Brasil, já que antes da sociedade apareceram administrações, como as Capitanias Hereditárias. “Nós somos os narcisistas ao contrário”, afirmou. Segundo o professor, a sociedade estuda para manter os ricos. “Todos saímos de famílias pobres, mas com a intenção de crescer, estudar e montar um escritório na região rica da cidade, para ganhar dinheiro. Não estamos mais nos importando com a própria sociedade”, completou. Segundo Nunes, Darcy Ribeiro dizia que “nossa miscigenação é a riqueza”, pois mostra que podemos ser sociáveis. Ele ainda revelou que Darcy estudou antropologia exatamente para isso, queria entender os brasileiros, toda essa cordialidade. “A cordialidade do brasileiro não é uma condição, é uma manobra de sobrevivência.

Show de rap leva multidão ao Teatro de Arena




Um estouro! Essa foi a palavra que mais se ouviu no Teatro de Arena das 17h às 23h de domingo, dia 18, durante uma ação cultural seguida de shows promovida pela 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. As atrações foram um concurso de batalha de MCs , apresentações de break e shows com as bandas de rap Anonimono 7, Contexto, Contrabando, Hubraz e o grupo CxA (Consciência x Atual), um dos grupos de rap mais conhecidos do cenário nacional. As atividades tiveram início com a famosa e tradicional batalha de MCs. Vários jovens subiram ao palco para se desafiaram e ver quem rimava mais. Quem escolhia era o público em uma série melhor de três em que cada dupla de participante tinha 40 segundos para cantar seus versos. A platéia foi ao delírio! O vencedor era ovacionado pelo público. Para o estudante João Pedro, a Feira olhou para o hip-hop como uma cultura, um olhar que nunca se teve em Ribeirão Preto e esse apoio e interatividade só irão aproximar ainda mais o jovem do evento. 

Fonte:  Wolfgang Pistori - Imprensa
           Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto


Nenhum comentário:

Postar um comentário