| “Uma mulher com autoestima alta é capaz de enfrentar o machismo, assédio moral e qualquer outro tipo de desrespeito que venha a sofrer, porque tem força para lutar.” A frase, da jornalistaAna Paula Padrão, foi dita durante a Mesa de Debates da 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão que teve como tema “O livro e a leitura diante dos novos direitos da mulher no Brasil”. Além de Ana Paula, participaram do debate a advogada Beatriz Campoy, a pesquisadora Cláudia Bonfim e a vereadora soteropolitana e militante Olívia Santana. Os assuntos mais abordados foram: machismo, superação, trabalho doméstico, preconceitos e autoestima. Olívia arrancou aplausos da plateia ao dizer que existem duas condições da mulher no Brasil: a condição da mulher e a da mulher negra. “Eu faço parte daquilo que chamamos de exceção. Quando entro em lugares não frequentados por negros chamo a atenção das pessoas. Alguns já falaram comigo em inglês pensando que eu não era brasileira. A condição da mulher negra no Brasil ainda é mais atrasada do que a condição das demais mulheres.” As quatro debatedoras ainda destacaram a importância da leitura para as mulheres buscarem soluções para enfrentar o preconceito e machismo diário. Destacaram que os livros abrem a mente para idéias, mudança e luta Viúva do ex-jogador Sócrates autografa livro no Iguatemi durante Feira |
A história no futebol de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Doutor Sócrates ou Magrão, e seu brilhantismo nos gramados é bastante conhecida no Brasil e no exterior, porém a viúva do ex-jogador, a jornalista Kátia Bagnarelli, compartilha momentos e trechos de um diário pessoal do casal no livro “Sócrates Brasileiro – Minha Vida ao lado do maior torcedor do Brasil”, escrito em parceria com Regina Echeverria.
Neste sábado, dia 17 de maio, a jornalista esteve na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, autografando seu livro e dividindo suas histórias com os participantes da 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
Clara Charf encanta platéia com histórias da vida com Marighella
Antes mesmo de subir no palco do Theatro Pedro II,
Clara Charf, militante política e viúva de Carlos Marighella, foi abordada por
várias pessoas que queriam tirar fotos com ela. Era um sinal do que viria a
seguir, na Conferência de Clara com o tema “O livro e a leitura diante da
condição da mulher no Brasil”. Aplaudida de pé já ao entrar na Sala Principal
do Theatro apoiada por bombeiros, Clara, de 87 anos, foi ovacionada ao final do
encontro, em que esbanjou muito bom humor e vitalidade.
A
palestrante foi aplaudida dezenas de vezes durante os 90 minutos de bate-papo e
fez questão de falar que segue lutando por um mundo mais justo e feliz. “Sou comunista desde pequena por conta de um
amigo dos meus pais que era membro do partido, eu achava interessante e defini
minha vida de lá para cá”, afirmou Charf.
A biografia de Marighella, lançada recentemente
pelo jornalista Mário Magalhães, também foi assunto no evento. Uma jovem da
plateia que tinha um exemplar do livro levou a biografia até Charf, que fez
questão de mostrar ao público e elogiar o autor.
Ela disse que, quando se tornou militante, as
mulheres adquiriam conhecimento exclusivamente através dos livros. Clara contou como foi presa em Campinas na
época da ditadura. “Eu ia criar um curso na cidade e andava com uma com uma
mala cheia de livros. Chegando lá na rodoviária fui recebida por uma pessoa que
era procurada pela polícia, mas quem acabou presa fui eu.”
A
militante também contou como ela e Marighella, sempre na clandestinidade,
dividiam tudo, até as funções domésticas. Lembrou que um dia ele chegou em casa
e ela estava passando roupas. “Ele me disse, então, para que eu não passasse
mais roupa quando ele não estivesse. Eu perguntei o motivo e Marighella
respondeu que queria ler para mim em voz alta todas as vezes que eu passasse
roupa.”
No final da Conferência, o
público pode fazer perguntas. Um dos assuntos abordados foi a morte de
Marighella. Emocionada, ela contou que no dia da morte do companheiro ela
estava na casa de um amigo à espera de Marighella, que estava atrasado. “De
repente, o meu amigo chegou dizendo que precisávamos ir embora, me levou para o
seu carro e foi ali que eu soube do assassinato.” Segundo Clara, muitos fatos
envolvendo o assassinato continuam desconhecidos. Por isso,
ela ainda luta para desvendar toda a história.
Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto
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